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luteciaesp

segunda-feira, 24 de maio de 2010

GERAÇÃO FICANTES

Nos últimos anos, jovens, adolescentes e maduros baladeiros fazem surgir no cenário das festas, barzinhos, baladas matutinas, vespertinas e noturnas, a geração de ficantes. O ficante é aquele que não quer compromisso, limites ou regras estabelecidas de relacionamento. Fica por algumas horas, tempo suficiente para alguns beijos e, dependendo do volume do som, nem o seu nome importa. Se for adepto a jogos e competições, a duração da “ficada” vai ser por alguns minutos e já mirando a próxima vítima. É da tribo do cata-cata, do pega-pega, da contabilidade no final. Ao vencedor, o título de pegador.
            Ficante não atém-se a “idiotices românticas” mas, como troféu, guarda no celular, no orkut ou em qualquer outro arquivo que possa ser mostrado, mensagens de ficantes que “ousaram” desejar algo mais que o momento passado corrido e foram “esquecidas” e não recomendadas por esse motivo.
Segundo avaliação de alguns psicólogos, os resultados benéficos do “ficar” superam seus aspectos negativos, por possibilitarem avaliar um maior número de parceiros e investir no conhecimento mais profundo daqueles considerados interessantes, ao contrário do “namorar”, que já limita as relações, demandando mais dedicação e cobranças. Tenho lá minhas dúvidas.
            O ficar não é uma mudança comportamental isolada, mas o reflexo de uma sociedade composta por pessoas mais centradas em si mesmas, sem predisposição para ouvir e aceitar o outro. Como disse uma amiga do orkut, da tribo dos ficantes, mas que começa a mostrar-se insatisfeita com suas relações: “"Pela pressa de viver as pessoas estão esquecendo de viver. Estão todos apressadíssimos, indo a lugar nenhum”. A busca por aquele que será o companheiro da artrite, do reumatismo, da flacidez e dos problemas que a idade traz, não cabe hoje nas baladas onde as relações têm se iniciado e se resumido. A banalização do sentimento, do namoro, da descoberta do outro, do cuidado, da amizade, do respeito, e de tudo o que se pode construir numa relação, preocupa pais e solitários de plantão.
Embora muito raramente, vou concordar com o que escreveu Arnaldo Jabour: “... o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é “out”... que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo... ou que não posso me aventurar a dizer pra alguém: vamos ter bons e maus momentos e, uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida. Antes idiota que infeliz!”
 A vida não é uma farra. O futuro chega rápido e a vida não espera.


Lutécia Mafra Espeschit

Pedagoga, especialista em Orientação Educacional, formada no IES/FUNCEC e licenciada em Saúde e Saneamento pela PUC-RS.

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