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sábado, 5 de novembro de 2011

O mato da minha avó

Há 14 anos, quando minha avó morreu, herdei dela todas as suas plantas, que não eram muitas, mas que eu gostava de dar umas mexidinhas nos seis anos em que morei com ela, bem antes da sua morte. Morei com minha avó, em Belo Horizonte, de 1982 a 1988, quando resolvi pedir demissão da CAMIG, onde trabalhei por quase 10 anos e retornar a Monlevade. Embora tenha nascido em Beagá e lá estar toda a minha família, não sentia "minha" aquela cidade. Queria me sentir em casa, mesmo voltando sem emprego e sem saber ao certo o que meus pais pensavam sobre isso. Sabia que queria voltar pra casa, para a minha cidade, de onde só saí para estudar e trabalhar, indo pra onde não encontrei o "meu" lugar.

Minha avó, parteira aposentada do Hospital Vera Cruz e outros, era uma mulher muito rígida, por força da profissão que teve e das dificuldades que na época enfrentava, como falta de estradas e recursos para atender seus pacientes, pacientes dos médicos dos locais onde trabalhava. Conviver com ela muitos não achavam fácil, mas a gente se dava muito bem. Gostávamos de fazer e comer coisas gostosas, de cuidar de plantas, de fazer poesias, cantar e contar histórias. Weber Costa, filho do Diló, era um grande amigo seu e parceiro em muitas músicas. Minha avó fazia as letras e o Weber musicava. Muitas e muitas vezes ela, Weber e eu ficamos cantando, falando bobagens e rindo muito até o dia amanhecer. 

Apesar de ter um ótimo emprego, um bom local para morar e de estar numa cidade onde a minha família é tradicional desde que se tornou capital (os Mafra, no Barro Preto e os Espeschit, no Padre Eustáquio e Carlos Prates), voltei então para a "minha cidade", em março de 1989. Em agosto de 1997, dois meses após perder minha mãe, lá se foi minha avó, bem no Dia do Soldado, 25 de agosto, dia mais perfeito para marcar a sua morte, coincidente com a sua personalidade e sua vida de "disciplina militar". E, da sua morte, além da genética que herdei, também herdei as plantas, que encheram o carro do meu pai. Na saída da casa da minha avó para Monlevade, minha tia veio correndo com uma lata na mão e disse: - "já que você tá levando as plantas todas, leva esse mato também". Era mesmo um "mato", parecido com capim gordura, mas como herança é herança, trouxe aquela lata,  sem imaginar o que poderia ser aquele capim. Cuidei desse capim por uns cinco ou seis anos, troquei a lata por um vaso de cimento e seu aspecto não se modificava. Ficou robusto mas continuava "mato" e eu não tinha coragem de jogar fora.  Um belo dia, meu pai chegou todo todo eufórico, me chamando pra ver o mato. Qual não foi a nossa surpresa ao vermos que, depois daqueles anos todos, no meio daquelas folhas todas, brotou um "tarugo" enorme,  com flores lindas em sua extremidade. Hoje, quando cheguei no quintal, lá está ela de novo, a linda flor do mato da minha avó.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Você tem fome de quê?

Há alguns meses criei, no site de relacionamento Facebook, um grupo voltado a sugestões e debates, chamado “Idéias para uma Monlevade melhor”, pois são muitos os desafios para que a cidade tenha uma ótima qualidade de vida e  as boas idéias, acredito, são o norte para se encontrar o caminho das grandes realizações. Com todas as demandas que tem uma cidade como as do porte de Monlevade, fiquei surpresa com a unanimidade do desejo dos participantes dos debates do grupo: “mais cultura”. Acredito que esse clamor, na verdade, traduz-se em diversão e entretenimento, que é o que falta em nossa cidade. Cultura tem várias definições e ela pode ser religiosa, esportiva, folclórica, de subsistência, de massa, das tradições, intelectuais, morais, orais e tudo o que se faz presente e uma constância no dia-a-dia de uma comunidade, de um grupo, de um povo, e que o caracteriza, o iguala ou diferencia.

Somos uma cidade de tradição operária, religiosa, de educação de destaque, acolhedora, de muito trabalho, de bons artistas e de política polarizada. Temos bons bares e restaurantes, tradicionais e “sazonais”, alguns raros shows são realizados e muitas festas já se tornam tradição pela freqüência com vem acontecendo. Não somos uma cidade de tradição no ramo do entretenimento. Parece não haver interesse da iniciativa privada em “arriscar” nas produções de grande público. Embora haja projetos, ainda não temos um shopping, um teatro ou uma sala de cinema. Muito menos um parque ou um local onde se possa fazer um agradável passeio gratuitamente. Então, esse clamor é necessário, mas ao mesmo tempo injusto quando cobram essas realizações somente da administração municipal, seja qual seja o grupo político que administre a nossa cidade.

 Os grandes eventos são deixados a cargo do poder público e esse, com todas as suas limitações orçamentárias, não tem deixado a desejar quando o assunto é cultura e entretenimento. Além dos inúmeros cursos que a Fundação Casa de Cultura oferece, fiz um levantamento de todos os apoios e eventos culturais realizados somente nesse ano, contabilizando trinta e seis, uma média de 3,6 eventos por mês. E, curiosamente, a maioria dos meus amigos do Facebook  e outras pessoas que reclamam da falta de “cultura” na cidade , não comparece a nenhum desses eventos,

Estive presente em vários e dentre as realizações culturais “oficiais” de 2011, destaco o Pré Folia, o Aniversário da Cidade, o Festival de Artes Cênicas, o Encontro de Motociclistas, o Circo do Marcos Frota, a Caravana da Artesania, a adesão à Jornada Mineira do Patrimônio Cultural, a abertura do JEMG, o Festiaço, o Brincando na Praça, a Cavalgada (dois dias gratuitos), os investimentos do ICMS Cultural no Congado e Corporações Musicais, lançamento dos livros Portais e a trilogia Jairo, diversas palestras, como a “João Monlevade: caminho de riquezas” e, encerrando no dia 4 de novembro, as inscrições para o concurso fotográfico “Olhares” e o concurso literário “Valores de nossa gente”.  Você já fez uma foto ou escreveu uma crônica ou um poema para os concursos?

Portanto, se os monlevadenses não prestigiam e não comparecem à maioria dos eventos que aqui são realizados e dizem que Monlevade é uma cidade onde a cultura não acontece, resta-me então perguntar a cada um:  - Você tem fome de quê?

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Uirapuru


O uirapuru é um pequeno pássaro, quase em extinção que, no Brasil, habita a floresta amazônica. Seu canto melodioso e longo, que se assemelha ao som de uma flauta, é ouvido só por quinze dias no ano, ao anoitecer e ao amanhecer, enquanto constrói o ninho para atrair a fêmea. Envolvido em estórias da floresta, diz uma lenda que, quem o encontra e ouve seu canto, tem um desejo especial realizado. 

Embora não estejamos na Amazônia, nem na floresta, João Monlevade terá, na próxima terça feira, dia 16, o seu canto do Uirapuru. A partir das 18 horas, na Praça do Povo, grandes nomes da música mineira elevarão seu canto, na esperança de que, ao ser ouvido pela Presidente Dilma,  numa gravação que chegará às suas mãos, possamos ter nosso especial desejo realizado: a duplicação da BR-381.

“O show da vida pela duplicação da rodovia da morte” acontecerá como forma de protesto pelo descaso com que a manutenção e a segurança da nossa principal rodovia vêm sendo tratadas. É fruto da articulação do médico e músico Aggeu Marques , que convidou vários artistas para o show e mobilizou inúmeras pessoas para fazerem a sua divulgação pelas redes sociais e outros meios de comunicação.

A idéia inicial de que o evento fosse realizado interditando a rodovia, foi descartada por motivo de segurança. Embora causasse um maior impacto, poderia também causar acidentes,

Longe de tumultuar o trânsito ou provocar qualquer transtorno na BR , o que todos pretendem é se fazerem ouvidos. Assim como o Uirapuru, cujo canto raro comove a todos da floresta, que o canto da nossa cidade comova nossos governantes para que essa duplicação deixe de ser necessidade e passe a ser realidade.

Tomo a liberdade de, em nome do Aggeu Marques, Ana Cristina, Bauxita, Fabrício e Elcimar, Fio da Navalha, In Focus, Luís Carlos Sá, Márcio Greyck, Maurício Gasperini, Paulinho Pedra Azul, Rômulo Rãs, Telo Borges, Toninho Horta e 14 Bis, convidar a todos para estarmos na Praça do Povo no dia 16, unidos nesse protesto pela vida.

Um abraço, uma ótima semana para todos e até terça-feira, na praça.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

ASSIM MORREM OS ÍDOLOS?

“Meus heróis morreram de overdose”, cantava Cazuza na música “Ideologia”, referindo-se aos seus ídolos do rock mortos por uso de drogas e álcool. No último sábado,  Amy Winehouse, cantora e compositora de soul, jazz e R&B, foi mais uma vítima do que também suspeita-se ter sido uma overdose. Coincidência ou não, Amy, conhecida por seus problemas com o vício, passou a fazer parte do rol dos 10 artistas que integram o Clube dos 27, ou seja, famosos que morreram aos 27 anos. Dentre os mais famosos, Jimi Hendrix , ainda hoje considerado o maior guitarrista de toda a história do rock, que morreu em 18 de setembro de 1970, sufocado com o próprio vômito, amarrado em uma maca a caminho do hospital, após uma mistura de comprimidos e bebida alcoólica. Vinte e um dias depois, mais uma grande perda: Janis Joplin, a rainha do soul que, como ninguém, encantou platéias com sua voz rouca e afinação perfeita. Foi vítima de uma overdose acidental por heroína, assim como Jim Morrison, poeta e vocalista do The Dors, cuja morte deu-se por parada cardíaca, na banheira de um hotel em Paris. Brian Jones, criador e primeiro guitarrista do The Rolling Stones, foi encontrado morto, afogado em sua piscina, um dia após Mick Jagger tê-lo demitido da banda, devido ao seu uso incontrolável e excessivo de drogas. Kurt Cobain, o maior mito do rock nos anos 90, líder do Nirvana, embora haja suspeita de que fora assassinado, oficialmente suicidou-se com um tiro de espingarda na cabeça, devido a depressão causada pelas drogas e por não saber lidar com o sucesso.

Dentre os brasileiros, Raul Seixas, alcoólatra, faleceu de parada cardíaca, assim como Cássia Eller e Elis Regina, cujo uso da cocaína e do álcool não era segredo pra ninguém.

Assim como muitos de nossos ídolos, jovens desconhecidos também trilham pelos caminhos das drogas, sem ao certo saberem o motivo do primeiro contato, da primeira experiência que, muitas vezes, podem levá-los à morte. Rebeldia, solidão, más companhias, decepções, injustiças sociais, ou mesmo  muito sucesso  são os motivos encontrados como justificativa para chegarem ao vício, mas a única certeza é que todos eles precisavam de ajuda, de um olhar mais atento  dos amigos, da família que, ante suas resistências ao tratamento ou ao confinamento necessário para a desintoxicação, não desistissem jamais. E como dizia a letra de uma música de Eustáquio Ambrósio, que lembrava Jimi Hendrix, Brian Jones e Janis Joplin num de nossos saudosos festivais:
"tinham a vida inteira pela frente,
mas encontraram fim triste, prematuramente.
Ninguém faz tudo, ou muda nada eternamente,
 debaixo do chão”...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

VELOZES E PERIGOSOS


Sempre que acontece um grave acidente na BR-381, no trecho que corta a nossa região, vem à tona a revolta de todos que por ela trafegam ou que têm parentes e amigos que o fazem. Trafegar na Rodovia da Morte é de fato preocupante e quase uma roleta russa.

No último domingo não foi diferente e um fórum de discussões sobre a duplicação da BR surgiu no Facebook, com inúmeros comentários, sugestões e protestos. Um deles sugere que, por tempo indeterminado, deixemos de transitar pela BR-381, optando por caminhos alternativos. A maioria dos comentários taxa a BR como assassina. Mas essa BR, que possui uma curva a cada 500 metros, possui também inúmeras placas alertando para o limite de velocidade de no máximo 80 Km/hora e que não é respeitado..

O número de mortos em acidentes no trecho entre João Monlevade e Belo Horizonte, no ano de 2010, cresceu 37% em relação a 2009. Segundo a PRF, 111 pessoas morreram na estrada, em 2.049 acidentes, com 1.430 feridos (não considerando os que morreram posteriormente em decorrência desses acidentes).

A duplicação é necessária e urgente, pois a BR já não comporta mais o intenso fluxo de veículos e tem a segurança comprometida com seu traçado sinuoso e com os incontáveis caminhões que trafegam com excesso de carga e sem fiscalização. Mas essa “novela” da duplicação, que já se arrastava por alguns anos e que parecia caminhar para o seu final, foi interrompida por fraudes em licitações e corrupção no Ministério dos Transportes e no DNIT , resultando na demissão de 16 pessoas (até anteontem), entre elas, o próprio ministro. Com isso, estão suspensas quaisquer obras e tudo voltou à estaca zero.

Muito mais que a duplicação, o que urge é a prudência. Não há justificativa o fato de encontrarmos esses velozes e perigosos “motoristas” dirigindo a 120, 130 Km/hora, porque estão com pressa, julgam-se muito bons e, o carro, possante, tem que mostrar desempenho. Depois, duplicada, esses mesmos velozes e perigosos motoristas vão dirigir a 140, 150 Km/hora e todos nós, transferindo a culpa e a responsabilidade, continuaremos dizendo que a BR-381 é que é a assassina.

Portanto, resta-nos duas escolhas: ou respeitamos o limite de velocidade de 80Km/hora, compatível com o traçado da rodovia , ou estaremos, pelo menos nos próximos 10 anos, até que se conclua essa duplicação, nos arriscando a morrer ou a matar nessa estrada.






sexta-feira, 1 de abril de 2011

Meu tempo de postagem no YouTube tá liberado novamente!


O YouTube acaba de informar que minhas postagens estão novamente liberadas para 2Gb. Tô postando o show do Pato Fu - Música de Brinquedo, completo. Filmado no Anfiteatro do Centro Educacional de JMde, em 29/12/2010. Esse é o melhor show que o Pato Fu fez ou fará (uma voz de brinquedo para uma música de brinquedo - Fernanda Takai). A participação dos Bonecos do Giramundo, os monstros Ziglo e Groco fizeram a alegria do show. Foram muitas gargalhadas, proporcionadas por eles e John Ulhoa, o guitarrista da banda. Assistam daqui a pouco. Aliás, daqui a muito, porque o show tem 1,24G e vai demorar.... ISSO SE O MEU SINAL NÃO CAIR!

www.youtube/luteciaesp

Anos de Chumbo - DITADURA NUNCA MAIS

Exposição fotográfica e painéis sobre os "Anos de Chumbo" - 1964 a 1981, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, promovida pela UFOP e Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade, com show de abertura de Cila Cordeli, João Frei tas e Phelipe Godinho e apoio da Fundação Casa de Cultura de João Monlevade (novembro de 2009).

quarta-feira, 16 de março de 2011

Favela (por Lutécia)


Favela (por Lutécia)

Chove...
Estou triste.
A chuva persiste,
caindo,
molhando,
lavando de graça,
por onde ela passa
tudo que pode.

Estou triste.
A chuva persiste,
fina, fria,
molhando,
elamaçando,
casinhas pequenas,
no alto do morro,
que sem nenhum socorro,
descem pouco a pouco ao chão.

Estou riste,
a favela está triste
com tanta desgraça.
E a chuva persiste,
lavando de graça,
por onde ela passa,
tudo que pode.
Molhando,
lavando,
caindo sem cessar.

terça-feira, 15 de março de 2011

Inconstitucionalidade da Lei Mineira que proíbe uso de celulares em estabelecimentos bancários


Em 11 de janeiro desse ano foi editada, em Minas Gerais, a Lei 19.432 que proíbe o uso de telefone móvel em instituições bancárias e financeiras. A lei prevê multas para a instituição que tolerar a utilização do celular bem como para o cidadão que fizer uso desse aparelho.
O Projeto de Lei foi apresentado pelo deputado Célio Moreira (PSDB), e votado por lobby da Polícia Militar, tem como argumento impedir que criminosos comuniquem de dentro da agência, com bandidos que estão do lado de fora, possíveis vítimas de assaltos ou mesmo de sequestros.
A lei, em todos os aspectos possíveis, é inconstitucional e de absoluta falta de razoabilidade social e proporcionalidade jurídica. No intuito de coibir crimes, impede a população de fazer uso de um direito de primeira dimensão histórico: liberdade de comunicação. Pior: utilizando como justificativa a “segurança pública”, transfere para os bancos – instituições de direito privado – a responsabilidade de fiscalização da lei. Significa que na prática, o cidadão será fiscalizado por vigias e seguranças patrimoniais de uma empresa terceirizada que presta serviço ao banco. Dois equívocos absolutos: a) presume que quem usa celular dentro da instituição bancaria ou financeira é criminoso; b) transfere para a iniciativa privada o direito de tolher direitos e garantias individuais. Significa que direitos fundamentais são ofendidos em um plano horizontal – particular fiscalizando e restringindo direitos de particular.
Do ponto de vista da razoabilidade social a lógica que justifica a lei possibilita conclusões absurdas. É como se todos os motoristas fossem proibidos de dirigirem seus próprios veículos sob o argumento de existirem pessoas que dirigem sem habilitação. Ou se todos os comerciantes fossem proibidos de exercerem atos de mercancia porque alguns não possuem as devidas licenças. A resposta social e política ao patológico não pode ofender desproporcionalmente o normal e regular. A Lei mineira consagra uma tendência a ser revertida: formaliza um Estado Policial que subverte a proposta constitucional ao transformar o Poder Público em opressor do cidadão. A justificativa é sempre um inimigo que precisa ser combatido: o comunista, o terrorista, o bandido.
Se não bastasse, a lei gera outros inconvenientes ignorados pelos legisladores mineiros – e pela Policia Militar de Minas. Por exemplo: 1) como a lei não especifica quem pode e quem não pode usar o aparelho móvel, os próprios funcionários do banco estão proibidos de utilizarem celulares sob pena de serem multados e ainda gerarem multas para seu próprio empregador; 2) a lei também não especifica quem lavrará a multa. Apenas diz que é do banco a responsabilidade de fiscalização. Como exercício do poder de polícia não pode ser privatizado ou terceirizado – atividade de restrição de direito e fiscalização só pode ser exercido pelo próprio Estado ou seus delegados – não é de se esperar que o próprio banco faça a multa que ele mesmo terá que pagar; 3) caso o cidadão precise resolver um problema por telefone, terá duas saídas: utilizar o telefone do próprio banco ou sair da agência. No primeiro caso, se o banco emprestar o telefone para um cidadão terá que fazer para todos, sob pena de discriminação. Na segunda hipótese, sair da agência, corre-se o risco de, ao tentar voltar, o banco já estar fechado.
Propomos duas saídas. A propositura de uma ação declaratória de inconstitucionalidade com pedido liminar seria uma saída forma e bem vinda. Mas há outra: na lei há um dispositivo que permite ao cidadão, em caso de emergência ou necessidade, utilizar o aparelho móvel mediante comunicação ao gerente do estabelecimento. Pois bem. Não há definição do que é emergente nem necessário e nem se estipula autoridade competente para tanto. Portanto, basta que o cidadão faça a ligação sob a alegação de que o assunto enquadra-se em uma dessas condições que nada poderá ser feito. Outrossim, contra um Estado opressor, a desobediência civil é sempre uma opção da sociedade afrontada.
Anderson Rosa Vaz, Doutor em Direito pela PUC-SP, Professor na Universidade Federal de Uberlandia.

domingo, 13 de março de 2011

Maracutaia no ar: Globo perdeu mesmo o brasileirão para Rede TV?


A Rede TV! pode sublicenciar a transmissão a outra TV concorrente, pagando ao Clube dos 13 mais R$ 103 milhões. A emissora diz que não pretende licenciar a nenhuma concorrente. Mas o fato de ter sido a única a participar da licitação, traz suspeita inerente de um acordo de bastidores, seja com a Record, seja com a própria Globo.

 A Rede TV! venceu a licitação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012, 2013 e 2014 por R$ 516 milhões (cada ano), na sexta-feira. No último triênio a Globo pagou apenas R$ 220 milhões ao ano.

A Globo havia desistido de disputar a licitação do próximo triênio, depois que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) obrigou a acabar com contratos privilegiando a emissora.

O Clube dos 13 (entidade que até hoje representou os interesses junto às TVs dos maiores clubes brasileiros) passa por um estranho racha, coincidindo com a decisão da Globo de abandonar a licitação e passar a procurar os clubes para negociar individualmente.

A negociação individual é complicada porque um jogo envolve 2 clubes. A TV teria que deter os direitos dos 2 clubes para poder transmitir os jogos. Repita essa situação para todos os jogos, com todos os clubes, e percebe-se que essa negociação individual tem tudo para não dar certo, e está sendo explorada para gerar confusão e melar a licitação da forma que foi concebida para haver livre concorrência, sem privilégios.

Além disso, os problemas com o CADE voltariam, devido à negociações dirigidas, prejudicando a livre concorrência.

A TV Record desistiu na última hora, alegando incerteza jurídica, por não saber se a licitação valeria para todos os clubes, já que oito clubes endossaram a licitação (São Paulo, Atlético Mineiro, Inter, Atlético Paranaense, Bahia, Portuguesa, Guarani e Sport), dois ficaram em cima do muro (Vitória e Goiás), e 10 clubes manifestaram-se contra (Corinthians, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras e Santos).

Porém, diante da mesma incerteza, a Rede TV! foi a única participante e venceu, condicionando o pagamento à adesão de todos os clubes, como sempre foi. A Record poderia fazer o mesmo. Como não fez, há um forte cheiro de acordão de bastidores.

Forças "ocultas"

Alguns clubes dissidentes argumentaram que a partilha do bolo era aquém do tamanho do clube. Outros sucumbiram a estranhíssimos interesses, alegando preferir a TV Globo PAGANDO MENOS, porque daria mais visibilidade aos clubes.

Essa visibilidade é questionável, porque a Rede TV! e a Record prometeram transmitir em horário nobre, mais cedo, diferente da Globo, que espera a novela acabar, e prejudica a audiência do trabalhador que tem que acordar cedo.

A Rede TV! foi além e se disse disposta a transmitir jogos em qualquer dia da semana, de segunda a domingo, se os clubes quiserem.

Por trás dessa "visibilidade" dizem estar os patrocinadores das camisas dos clubes (para não considerar a hipótese bastante plausível de casos de corrupção de cartolas).

Mas os patrocinadores patrocinam os clubes ou são meros anunciantes na TV Globo, via camisa? Que estranha triangulação é essa, onde uma empresa, para anunciar na Globo através da camisa dos clubes, exige dos clubes contratos onde a TV paga menos aos clubes?

Na prática, é como se, em vez da Globo pagar os direitos de transmissão integrais, os clubes é que pagam de volta à Globo o valor do anúncio veiculado nas camisas. Então o patrocínio na camisa, em vez de ser para remunerar o Clube, acaba remunerando a Globo.

Cheiro de maracutaia de acordão de gaveta

A Rede TV! pode sublicenciar a transmissão a outra TV concorrente, pagando ao Clube dos 13 mais R$ 103 milhões.

A emissora diz que não pretende licenciar a nenhuma concorrente. Mas o fato de ter sido a única a participar da licitação, traz suspeita inerente de um acordo de bastidores, seja com a Record, seja com a própria Globo.

A Rede TV ofereceu R$ 516 milhões e, caso negocie com a Globo ou Record, pagará apenas mais R$ 103 milhões aos clubes. O custo total sairá por R$ 619 milhões ao ano. Havia expectativa de que, caso a Record ou a Globo entrassem na disputa, os clubes recebessem cerca de R$ 750 milhões ao ano ou mais.

Nesse contexto, um acordo da Rede TV, seja com a Record, seja com a Globo, significa cerca de R$ 131 milhões por ano a menos no bolso dos clubes, e a mais no bolso das TVs vitoriosas.

Pobre rico futebol brasileiro

O diretor de relações institucionais da Rede TV!, João Alberto Romboli, revelou que a emissora levou dois envelopes para a reunião no Clube dos 13, um com proposta mais alta e outro com proposta mais baixa. Com a desistência de todos os outros concorrentes, apresentou a proposta mais baixa, muito próxima do lance mínimo.

Questionado se a segunda proposta seria acima de R$ 700 milhões por ano, Romboli confirmou: "O segundo envelope, era (superior a 700). Mas era menor que 800 (milhões)".

Teste de hipóteses

Os desdobramentos dessa história não provará, mas dará indícios se houve ou não maracutaia. Aguardemos os próximos capítulos, mas dá para testar as hipóteses:

1) Se a Rede TV! conseguir levar essa vitória e mantiver sua exclusividade na transmissão, parabéns para ela. Significa que não houve maracutaia, apesar dos clubes deixarem de ganhar cerca de R$ 750 milhões nos próximos 3 anos. Mas, pelo menos, ganham na mudança de horário para mais cedo, e mais transmissão de jogos também durante a semana. O futebol na Rede TV! fica prioritário sobre qualquer outra programação. Na Globo, a novela é prioritária.

2) Se a Rede TV! sublicenciar para a Globo, continua tudo como dantes. O forte cheiro de maracutaia exalará pelos campos do Brasil e pela tela da TV, onde a Globo seria beneficiária de um suposto acordão de bastidores, onde os clubes dissidentes se disporiam a aderir a vitória da Rede TV! mediante cessão para a Globo também transmitir os jogos. Os clubes reduziriam o que deixaram de ganhar para R$ 450 milhões no triênio (receberiam mais R$ 300 milhões). Continuariam perdendo prestígio para as novelas, e tendo que agendar os jogos segundo os interesses da Globo, e a Rede TV! seria linha auxiliar da Globo, como é a Band no último triênio. A Record teria feito papel de boba, ao desistir.

3) Se a Rede TV! sublicenciar para o Record, o cheiro de maracutaia continua, mas a perdedora seria a Globo. Os clubes continuariam reduzindo as perdas para R$ 450 milhões no triênio, mas ganhariam prestígio, com os jogos dominando o horário nobre, sobrepondo as novelas.

4) Ainda há a hipótese, mesmo remota, da Globo conseguir dobrar os cartolas de 20 clubes em negociação individual com cada um deles. Porém, o mais provável é que o custo sairia muito mais caro do que negociar em bloco um sublicenciamento com a Rede TV!, a não ser que a corrupção corresse solta. Se essa hipótese vingar, tudo indica que a própria Globo estaria substituindo o papel do Clube dos 13, e ficaria "dona" do futebol brasileiro, sem intermediários.

É por essa e por outras, que o Brasil, mesmo já tendo uma economia maior do que a Espanha, Holanda, e será maior do que a Itália em 2011, não consegue reter seus craques aqui.

Fonte: Blog Amigos do Presidente Lula


sexta-feira, 11 de março de 2011

Jamelão - "Lendas do Abaeté" - Mangueira 73 - (TV Cultura, 1973)

Aproveitando a semana carnavalesca, lembro aqui do símbolo da escola Estação Primeira de Mangueira, José Bispo Clementino dos Santos, mais conhecido como Jamelão, grande intérprete dos sambas-enredo da escola. Nesse vídeo histórico de abertura do "MPB Especial", da TV Cultura, Jamelão comemora o título inédito para a sua escola: campeã do Carnaval carioca de 1973.
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Sombrinhas do Carnaval

Não poderia deixar de registrar o esvoaçar de cores bailando sobre as cabeças no Carnaval desse ano: as sombrinhas, que mais pareciam parte de um bloco, onde o tema era não se importar com a chuva e cair na folia.

Aí estão 57 sombrinhas que fotografei nesse CarnavAlvinópolis.


Sombrinhas do Carnaval de 2011

Não poderia deixar de registrar o esvoaçar de cores bailando sobre as cabeças no Carnaval desse ano: as sombrinhas, que mais pareciam parte de um bloco, onde o tema era não se importar com a chuva e cair na folia.


O álbum está no link (ou clique na foto para ver todas as sombrinhas que fotografei)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ONU: O Brasil reconhece direito das vítimas da ditadura à verdade


"O governo brasileiro reconheceu,  nesta segunda-feira (28), perante o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) o "direito à verdade" das vítimas da ditadura (1964-1985), em um discurso pronunciado pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

"O direito à memória e à verdade é um aspecto integral dos direitos humanos e um instrumento fundamental para o fortalecimento da democracia", disse a ministra.



Após afirmar que para o seu governo "não há hierarquia entre direitos econômicos, sociais e culturais, de um lado, e direitos civis e políticos, do outro", Maria do Rosário assegurou que "foi na luta pelo exercício destas liberdades que o povo brasileiro superou um regime autoritário e recuperou a democracia".

      "Esta luta trouxe o sofrimento de milhares de pessoas e a perda de muitas vidas. Estas vidas devem receber sempre nossa homenagem e reconhecimento", enfatizou a ministra.

O compromisso voluntário com o direito à verdade - uma exigência moral, não jurídica, criada pela ONU - pode abrir as portas à investigação do que aconteceu, embora não envolva uma condenação dos responsáveis.

Este direito apoia familiares e a comunidade em geral, levando-os a conhecer o destino dos que sofreram graves violações de direitos humanos, independentemente de que os autores materiais ou intelectuais sejam ou não condenados pela justiça, sejam perdoados ou permaneçam nas sombras.

Para promovê-lo, a ONU instaurou no ano passado o dia 24 de março como o Dia Mundial da Verdade, em memória do assassinato do monsenhor Oscar Arnulfo Romero, assassinado nesta mesma data, em 1980, ao sair de uma missa na capital de seu país, El Salvador, sem que até hoje o assassino tenha sido identificado.

No dia 15 de dezembro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Estado brasileiro por abusos cometidos durante a ditadura, pedindo que esclareça os fatos.

No entanto, uma lei de anistia vigente no Brasil desde 1979 se opõe a que os militares que cometeram crimes naquela época sejam julgados".

Fonte: AFP


Em 26 de outubro de 2009,  O Sindicato dos Metalúgicos de J. Monlevade e UFOP, com o apoio da Fundação Casa de Cultura e Grupo Fazendo Arte, promoveram uma exposição de Fatos e Fotos alusivos aos Anos de Chumbo (marcadamente de 1968 a 1985), cujos painéis foram cedidos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. 

Interessantes os painéis, apresentados dentro de uma cronologia dos fatos e das fotos, e do evento em si, que os envolvidos na produção criaram complementando a exposição, com debates, palestras e apresentação de músicas proibidas por, supostamente, terem teor subversivo ao regime militar que instauraram no Brasil.

Fotos no meu orkut e  filmagens (no meu YouTube/lutecia esp)  do show, com Cila Cordeli, e dos relatos de José Carlos Areas, preso político à época, João Paulo Pires de Vasconcelos e Professora  Celeste Semião. 

São coisas que precisamos rever de vez em quando, pra não se repetirem jamais.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

"O veneno e o antídoto" traça panorama da violência no Brasil - Portal Vermelho


"O veneno e o antídoto" traça panorama da violência no Brasil

Conexões Urbanas é um programa que busca ser um braço televisivo do movimento social. O objetivo é criar elos de conhecimento, cultura e afetividade entre os diversos guetos em que a sociedade se dividiu: ricos e pobres, brancos e pretos. A ideia do programa é gerar reflexão e ação. Neste episódio você vai conhecer o projeto "O veneno e o antídoto", desenvolvido em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, que expõe diversas visões sobre a violência no Brasil.



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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

VIDEO COM HINO DE MONLEVADE

Enfim, uma linda gravação do hino de João Monlevade, com arranjo, violão e voz de Marcos Martino, presidente da Fundação Casa de Cultura da nossa cidade e ex vocalista da banda Anjos Rebeldes, de Alvinópolis.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Por uma fresta...

Um cigarro, um cinzeiro, uma cinza caída,
a vida passando, sem eu ter onde olhar,
a parede vazia, uma fresta na porta,
solidão que vem vindo, querendo ficar.

As horas não passam, o sono não chega,
eu me ajeito na cama, tentando encontrar
um canto mais quente, um pedaço encoberto,
de lembranças e sonhos, que pude guardar,

dos momentos mais puros de amor que te dei,
hoje tenho somente o que não pude apagar,
uma marca profunda, bem dentro do peito,
uma força tentando fazer-me chorar.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma historinha ímpar do meu passado



Em 1978 , participei de um único Festival de Música Popular da minha vida, aqui em Monlevade. Eu mesma interpretei a música, que tinha um neolismo como título: INTROVISÃO. Fui uma das últimas a me apresentar e não tinha nehuma intimidade com o palco. A música começava com uns versos declamados, só com um violão ao fundo e eu sentada num degrau. A platéia já estava aquecida com sambas, baião, rock, ie,ie,ie e entro eu com aquele "fino da fossa". No primeiro verso já levei uma tremenda vaia, que foi só aumentando. Aí, com cara de tacho, quase chorando, me levantei e pedi, educadamente, que não me vaiassem porque eu queria apresentar a minha música e não ia conseguir cantar com aquela vaia toda. Aí é que levei mais vaia ainda. Então, ficamos mudos. Assim que as vaias diminuíram, comecei a declamar novamente, a cantar e a cantar, cantar, cantar... Ao final, fui ovacionada e ganhei o festival. FOI MUITO EMOCIONANTE!






 Introvisão

Quando fumo,
quando paro
e quando choro,
eu não me acho,
não me taxo,
e não me vendo,
eu tropeço 
nos tropeços dos teus passos,
e me machuco,
me levanto,
e não me rendo.

Eu me abro
totalmente 
em teus abraços,
e me empurras,
e me surras
e eu não ligo.

E te escuto 
me dizendo em sussurros,
não te amo,
sou apenas teu amigo.
E tu me deixas
pelos cantos,
entregue aos prantos,
e não ouves 
quando imploro
e te suplico,

que me tornes
novamente tua amante,
sempre tua,
sempre nua,
sempre mito,
que me tornes
novamente tua amante,
sempre tua,
sempre nua
sempre...


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Legalizando os assaltos...

"CARTA ABERTA AO...            (um certo banco privado)

Senhores Diretores do ........,

gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria assim: todo mês os senhores, e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc)..

Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante.

Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade. Essa taxa seria cobrado  qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima. Que tal?

Pois é queridos banqueiros, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas.
Tudo por uma questão de equidade e de honestidade. Afinal, os banqueiro são cidadãos tratados como Rei pelo Governo (e todos, sem excessão).

Minha certeza deriva de um raciocínio simples.

Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho.

O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho.Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço. Além disso, me impõe taxas.

A primeira,  'taxa de acesso ao pãozinho'. A segunda,  'taxa por guardar pão quentinho' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'.Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.

Financiei um carro.Ou seja, comprei um produto de seu negócio.Os senhores me cobraram preços de mercado.Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não satisfeitos  me cobraram algumas taxas.

Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de crédito' - equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pãozinho', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.Ainda não satisfeitos, para ter acesso ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco.

Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de conta'.Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura da padaria', pois, só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "papagaios'. para liberar o 'papagaio', alguns gerentes inescrupulosos cobravam um 'por fora', que era devidamente embolsado.Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos.Agora ao invés de um 'por fora' temos muitos 'por dentro'.

Tirei um extrato de minha conta , o  único no mês , e os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00. Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 referente a manutenção da conta. Semelhante àquela 'taxa pela existência da padaria na esquina da rua'.  A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre. Essa é uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros  mais altos do mundo.  Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quentinho'. Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.

Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam , muito cordialmente e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria.E , que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal.

E mais ,  tudo o que está sendo conbrado está devidamente dentro da  lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central. Pois é!  Triste saber disso. Triste  saber também que  existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.
Por fim ,  por favor me esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
  
ISSO É UMA VERGONHA!!!! CANSEI DE SER ENGANADO!

Precisamos evitar tais ROUBOS LEGALIZADOS !!!!


Essa carta foi escrita por um amigo de um meu amigo do Facebook, sobre o ocorrido em um banco privado, destaque no ranking dos maiores do Brasil.