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luteciaesp

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Uirapuru


O uirapuru é um pequeno pássaro, quase em extinção que, no Brasil, habita a floresta amazônica. Seu canto melodioso e longo, que se assemelha ao som de uma flauta, é ouvido só por quinze dias no ano, ao anoitecer e ao amanhecer, enquanto constrói o ninho para atrair a fêmea. Envolvido em estórias da floresta, diz uma lenda que, quem o encontra e ouve seu canto, tem um desejo especial realizado. 

Embora não estejamos na Amazônia, nem na floresta, João Monlevade terá, na próxima terça feira, dia 16, o seu canto do Uirapuru. A partir das 18 horas, na Praça do Povo, grandes nomes da música mineira elevarão seu canto, na esperança de que, ao ser ouvido pela Presidente Dilma,  numa gravação que chegará às suas mãos, possamos ter nosso especial desejo realizado: a duplicação da BR-381.

“O show da vida pela duplicação da rodovia da morte” acontecerá como forma de protesto pelo descaso com que a manutenção e a segurança da nossa principal rodovia vêm sendo tratadas. É fruto da articulação do médico e músico Aggeu Marques , que convidou vários artistas para o show e mobilizou inúmeras pessoas para fazerem a sua divulgação pelas redes sociais e outros meios de comunicação.

A idéia inicial de que o evento fosse realizado interditando a rodovia, foi descartada por motivo de segurança. Embora causasse um maior impacto, poderia também causar acidentes,

Longe de tumultuar o trânsito ou provocar qualquer transtorno na BR , o que todos pretendem é se fazerem ouvidos. Assim como o Uirapuru, cujo canto raro comove a todos da floresta, que o canto da nossa cidade comova nossos governantes para que essa duplicação deixe de ser necessidade e passe a ser realidade.

Tomo a liberdade de, em nome do Aggeu Marques, Ana Cristina, Bauxita, Fabrício e Elcimar, Fio da Navalha, In Focus, Luís Carlos Sá, Márcio Greyck, Maurício Gasperini, Paulinho Pedra Azul, Rômulo Rãs, Telo Borges, Toninho Horta e 14 Bis, convidar a todos para estarmos na Praça do Povo no dia 16, unidos nesse protesto pela vida.

Um abraço, uma ótima semana para todos e até terça-feira, na praça.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

ASSIM MORREM OS ÍDOLOS?

“Meus heróis morreram de overdose”, cantava Cazuza na música “Ideologia”, referindo-se aos seus ídolos do rock mortos por uso de drogas e álcool. No último sábado,  Amy Winehouse, cantora e compositora de soul, jazz e R&B, foi mais uma vítima do que também suspeita-se ter sido uma overdose. Coincidência ou não, Amy, conhecida por seus problemas com o vício, passou a fazer parte do rol dos 10 artistas que integram o Clube dos 27, ou seja, famosos que morreram aos 27 anos. Dentre os mais famosos, Jimi Hendrix , ainda hoje considerado o maior guitarrista de toda a história do rock, que morreu em 18 de setembro de 1970, sufocado com o próprio vômito, amarrado em uma maca a caminho do hospital, após uma mistura de comprimidos e bebida alcoólica. Vinte e um dias depois, mais uma grande perda: Janis Joplin, a rainha do soul que, como ninguém, encantou platéias com sua voz rouca e afinação perfeita. Foi vítima de uma overdose acidental por heroína, assim como Jim Morrison, poeta e vocalista do The Dors, cuja morte deu-se por parada cardíaca, na banheira de um hotel em Paris. Brian Jones, criador e primeiro guitarrista do The Rolling Stones, foi encontrado morto, afogado em sua piscina, um dia após Mick Jagger tê-lo demitido da banda, devido ao seu uso incontrolável e excessivo de drogas. Kurt Cobain, o maior mito do rock nos anos 90, líder do Nirvana, embora haja suspeita de que fora assassinado, oficialmente suicidou-se com um tiro de espingarda na cabeça, devido a depressão causada pelas drogas e por não saber lidar com o sucesso.

Dentre os brasileiros, Raul Seixas, alcoólatra, faleceu de parada cardíaca, assim como Cássia Eller e Elis Regina, cujo uso da cocaína e do álcool não era segredo pra ninguém.

Assim como muitos de nossos ídolos, jovens desconhecidos também trilham pelos caminhos das drogas, sem ao certo saberem o motivo do primeiro contato, da primeira experiência que, muitas vezes, podem levá-los à morte. Rebeldia, solidão, más companhias, decepções, injustiças sociais, ou mesmo  muito sucesso  são os motivos encontrados como justificativa para chegarem ao vício, mas a única certeza é que todos eles precisavam de ajuda, de um olhar mais atento  dos amigos, da família que, ante suas resistências ao tratamento ou ao confinamento necessário para a desintoxicação, não desistissem jamais. E como dizia a letra de uma música de Eustáquio Ambrósio, que lembrava Jimi Hendrix, Brian Jones e Janis Joplin num de nossos saudosos festivais:
"tinham a vida inteira pela frente,
mas encontraram fim triste, prematuramente.
Ninguém faz tudo, ou muda nada eternamente,
 debaixo do chão”...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

VELOZES E PERIGOSOS


Sempre que acontece um grave acidente na BR-381, no trecho que corta a nossa região, vem à tona a revolta de todos que por ela trafegam ou que têm parentes e amigos que o fazem. Trafegar na Rodovia da Morte é de fato preocupante e quase uma roleta russa.

No último domingo não foi diferente e um fórum de discussões sobre a duplicação da BR surgiu no Facebook, com inúmeros comentários, sugestões e protestos. Um deles sugere que, por tempo indeterminado, deixemos de transitar pela BR-381, optando por caminhos alternativos. A maioria dos comentários taxa a BR como assassina. Mas essa BR, que possui uma curva a cada 500 metros, possui também inúmeras placas alertando para o limite de velocidade de no máximo 80 Km/hora e que não é respeitado..

O número de mortos em acidentes no trecho entre João Monlevade e Belo Horizonte, no ano de 2010, cresceu 37% em relação a 2009. Segundo a PRF, 111 pessoas morreram na estrada, em 2.049 acidentes, com 1.430 feridos (não considerando os que morreram posteriormente em decorrência desses acidentes).

A duplicação é necessária e urgente, pois a BR já não comporta mais o intenso fluxo de veículos e tem a segurança comprometida com seu traçado sinuoso e com os incontáveis caminhões que trafegam com excesso de carga e sem fiscalização. Mas essa “novela” da duplicação, que já se arrastava por alguns anos e que parecia caminhar para o seu final, foi interrompida por fraudes em licitações e corrupção no Ministério dos Transportes e no DNIT , resultando na demissão de 16 pessoas (até anteontem), entre elas, o próprio ministro. Com isso, estão suspensas quaisquer obras e tudo voltou à estaca zero.

Muito mais que a duplicação, o que urge é a prudência. Não há justificativa o fato de encontrarmos esses velozes e perigosos “motoristas” dirigindo a 120, 130 Km/hora, porque estão com pressa, julgam-se muito bons e, o carro, possante, tem que mostrar desempenho. Depois, duplicada, esses mesmos velozes e perigosos motoristas vão dirigir a 140, 150 Km/hora e todos nós, transferindo a culpa e a responsabilidade, continuaremos dizendo que a BR-381 é que é a assassina.

Portanto, resta-nos duas escolhas: ou respeitamos o limite de velocidade de 80Km/hora, compatível com o traçado da rodovia , ou estaremos, pelo menos nos próximos 10 anos, até que se conclua essa duplicação, nos arriscando a morrer ou a matar nessa estrada.